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SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS ANOS

Eu te amo. Mas isso qualquer homem pode dizer e eu sei que ja escutou mais vezes do que gostaria. Eu sei que mais pessoas nessa vida te amam infinitamente,desesperadamente, com toda a força. Eu jamais vou poder competir... Mas eu tenho um amor que ninguém vai te dar. O meu Nem melhor,nem pior... mas o que você gosta. Talvez não façamos viagens duas vezes por ano, mas compenso nas risadas. Nossa casa pode ser pequena,mas será do nosso jeito, nossas cores,filmes e livros . Talvez tenhamos que aprender a usar mais o fogão ao invés de jantar fora sempre. Podemos pedir os livros de cozinha das nossas mães e aos domingos almoçarmos com elas. Eu talvez pegue no seu pé, mas por você estar usando muita roupa ao meu lado. Vamos continuar indo ao cinema, ao teatro e no caffé que você ama. Eu quero nossos filhos andem descalços como nós gostamos. Que possam ralar os joelhos e dormir na casa dos amiguinhos. ...

AMOR É BICHO ARRETADO!

Quando o coração do sujeito Bate desmantelado, Sentindo uma quentura no peito e os olhos abrilhantado, Pode ter certeza O amor é o culpado! Quem ama fica abilolado, Descompensado, Parece um maluco desajeitado. Só tem a mira pra amada Esquece as panela no fogo Vive andando avoado . Esquece do tempo E gasta todo o honorário. Vive escrevendo poesia Se diz poeta apaixonado. Manda flor em segredo E bilhete perfumado... Esse tal de amor É um bicho enjaulado, Quando o homem inventa de soltar Corre por ai feito cavalo desembestado Derruba barranco e porteira só da prejuízo aos coitados Faz safado vira noivo E até endireita os errado Esse tal amor é egraçado... Faz a moça sorrir e o homem ficar casado

UM DIA QUE NÃO EXISTE

De tudo, O que me dói mais da sua ida São as lembranças que não temos. Os domingos que perdemos Os beijos que não demos As brigas que nunca teremos. Os gritos de gol que nunca darei ao seu lado As risadas no quarto fechado Os brincos que nunca comprei E nem suas reclamações por estar atrasado. Tenho dor em saber que nunca bati seu carro Que nunca vamos ser pegos num vestiário Ou vamos correr na chuva e transar ensopados. O que me incomoda é saber que nossos filhos foram negados Nossos gritos foram calados Nossos corpos distanciados. Nosso jardim nunca nasceu Nossa roseira jamais floresceu Nunca vimos a lua do telhado E nosso cachorro sequer foi vacinado Me incomoda um amor real ser imaginado

NÃO SOU GENTE

Eu não nasci pra ser “gente“. Essa espécie que não ri Que finge que entende. Não nasci pra ser esse “bicho“ Que pede desculpa por não ter visto Que esconde o sexo com medo do bispo. Não sou gente Que mata Que sufoca Que esfola sonhos Acredito em crianças Nasci humano Vomito esperança. Gosto do céu Do cheiro do mar De fazer amor e de trepar. Não sou “gente“! Não gosto de “gente“! Gente pia,grasna, reclama da vida De ter que respirar. Vou morrer humano Mesmo que Sofra Chore Grite Mesmo que esse seja meu penar

O VAZIO DE SEUS OLHOS

Acompanho seus olhos em uma navalha o giro frenético das suas palavras as folhas de seu apartamento petrificadas um zunido metálico insiste na travessia das minhas costelas Blake e Van Gogh viraram poeira no meu quarto nenhuma abelha me visitou nenhum gafanhoto a peste sequer deu a volta sou martelado pela sua imagem no espelho... minha sala esta habitada por grãos e sete cavaleiros bebem as rosas na mesa o silencio é engolido pelo som de vespas vomitando ponteiros meus pés frios e a nuca emudecida sem seus dedos sem suas fagulhas sinto o afago de um deus enquanto agulhas tragam a fumaça dos seus braços suas retinas até daqui 100 anos-luz o consultório de espera é terrivelmente lodoso e acendo um maço de tempo a cada 5 minutos

VOCÊ NEM IMAGINA...

Você não faz idéia Nem se quer imagina Eu te desenho no meu quarto Dia após dia Brinco de invadir sua roupa Beber seus vinhos Imagino uma centena de fotos. Você e eu no sofá sozinhos... Imagino nossas festas Nossas gritarias As rosas sem espinhos A sua calcinha no meu bolso As reclamações dos vizinhos Nossos porres de risos. Imagino todo dia nossos banhos demorados Nossas brigas e nossas pazes Os bilhetes na geladeira Nossas propostas indecentes Os beijos safados Os olhares afiados, cúmplices e inciumados Vejo nossos domingos preguiçosos Uma rede pra deitar E uma centena de palavras pra conversar Continuo vendo tudo esperando você chegar.

PEDIDO DE UM MINUTO

Talvez só precisemos sentar um pouco conversar um tiquinho... Talvez o que nos falte seja dividir uma xícara, a mesma poltrona comer a mesma fatia de bolo. Nós precisamos deixar de ver o tempo pela janela  Devemos sair pela porta sem rumo  até o próximo Café até a próxima praia até o próxima esquina mal iluminada. Talvez o que nos falte seja uma rede na varanda um cachorro ou um quarto com cama de solteiro. Precisamos andar de bicicleta  andar a cavalo andar descalços andar do que for, mas que andemos juntos. Precisamos perder o medo de se olhar Precisamos parar de esconder os sorrisos  Precisamos dizer mais vezes Sim Precisamos deixar de precisar. Podemos ser melhores que um minuto Somos livres e mais vivos que nossos livros Devemos ser engraçados para nossos filhos  Contrariar nossos amigos. Talvez sejamos dois divididos em um.